Pré-sal

Protesto contra aprovação de proposta dos royalties interdita BR 101 em Mimoso do Sul

Com cartazes e pneus em chamas, manifestantes interditaram na manhã desta segunda-feira (24) o trevo de acesso à divisa do Espírito Santo com o Rio de Janeiro, na BR 101. O objetivo do protesto era tentar sensibilizar a presidente Dilma Rousseff a rejeitar a proposta de redistribuição dos royalties do petróleo aprovada na última semana.

Uma balconista que não entende muito bem o que significam royalties, sabe a importância dos recursos pagos pela exploração do petróleo aos estados e municípios do país. "É questão de estradas, empregos porque a bacia de Marapé é bem perto então, o pessoal vai para lá para trabalhar. A minha preocupação é que isso não aconteça, que o dinheiro que a gente produz aqui vá para todo o Brasil e que a gente nao tenha estradas, portos e a produção que a gente precisa", disse Roberta Romano.

A preocupação da balconista de padaria, em Mimoso do Sul, coincide com a do prefeito do município do Sul do Espírito Santo. "É muito grave para nós porque o Espírito Santo acaba perdendo. Se o Estado perde, nós perdemos investimentos e é isso que nós precisamos fazer a manutenção. Hoje o Estado corre o risco de perder muito dinheiro e isso fracassa o nosso município, que já é um município pobre", comentou Ângelo Guarçoni.

O prefeito se uniu a outros manifestantes, entre eles, o senador Magno Malta, para protestar contra a aprovação, pelo Senado, da proposta de redistribuição dos royalties. "O que eu quero é chamar a atenção da presidente da República, chamar atenção do País para essa covardia. É chamar atenção da presidente porque, nesse momento, só ela pode resolver. Nós temos hoje uma federação gananciosa, que tira de estados e municípios. Parece que é uma tentativa de ajoelhar os estados e municípios com pires nas mãos. Nós não pedimos para as bacias de petróleo estarem no Rio de Janeiro, que é um estado irmão. Nós vamos perder aquilo que nós não temos com esse projeto de Vital do Rêgo que partiu de uma emenda criminosa e safada, assassina e eleitoreira de Ibsen Pinheiro que foi parar no Senado e que o Lula vetou. Se o Lula vetou é porque ele tem entendimento e a Dilma no segundo turno esteve aqui dizendo que manteria o direito dos estados produtores", afirmou Malta.

Meia hora depois do início do protesto, havia uma nuvem de fumaça escura, um paredão de manifestantes e uma fila de carros com motoristas parados. Alguns deles estavam revoltados por não conseguir seguir viagem. "Eu concordo com o que senador está falando, concordo com tudo, mas acontece que eu tenho câncer e vou operar a próstata hoje ainda. Eu tenho que estar no Instituto do Câncer hoje à tarde para operar. Eu tenho que passar. É uma questão de vida ou morte", disse o aposentado José Machado.

Algumas pessoas questionaram a privação do direito de ir e vir. "Sou campista, acho que tem direito à reivindicação, mas eu acho que é o fim do mundo proibir o direito de ir e vir de um povo", comentou a aposentada Cely Abraão.

Como é pacífico, tem que dar o direito de ir e vir. Estão nos tirando isso, estou com carga, tenho horário para chegar assim como os demais aqui. O que eles estão tentando fazer aí deve ser feito para outras coisas também. Porque não fazem isso para tirar os ladrões que estão lá dentro, que roubam, que saqueiam o nosso país e não fazem manifesto nenhum para irá-los", questionou o motorista Sérgio Bone.

Pela proposta aprovada, a fatia dos royalties destinada aos estados produtores reduz de 26,25% para 20%, já no ano que vem. A parcela que cabe à união cairia de 30% para 20%. O percentual direcionado a municípios em que estão áreas das quais se extrai petróleo, hoje de 26,25% cairia para 17% em 2012 e chegaria a 4% em 2020. A nova divisão deve causar prejuízos de R$ 500 milhões em 2012, e comprometer 10% do orçamento previsto para o estado, no ano que vem. Um engarrafamento nos dois sentidos da BR 101 Sul se formou por conta do protesto desta segunda-feira.

"Atrapalha a vida das pessoas, mas infelizmente, nós temos que fazer isso. As pessoas que nos perdoem, mas quem é do Espírito Santo e do Rio de Janeiro sabe. É possível que tenha algum motorista, que seja de outro estado e que não conheça a verdade, esteja revoltado. Mas, infelizmente, tudo na vida tem um preço para pagar e se nós vamos ter que pagar o preço da revolta de alguém, nós vamos pagar", conluiu o senador Magno Malta.

Fonte: Folha Vitória

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