PL 122

Protesto contra punição à homofobia

Cerca de 20 mil evangélicos fizeram manifestação em frente ao Congresso

Gilvaldo Barbosa
Evandro Éboli

BRASÍLIA. Um ato de religiosos, a maior parte deles evangélicos, no gramado em frente ao Congresso Nacional, ontem, reuniu cerca de 20 mil fiéis, segundocálculos da Polícia Militar, para protestar contra o projeto que criminaliza a homofobia. Os líderes do movimento anunciaram a presença de até 70 mil pessoas noevento.

A relatora do projeto, Marta Suplicy (PT-SP), que defende o texto, foi alvo das críticas de pastores e parlamentares da bancada dos evangélicos. Os manifestantes exibiam cartazes com dizeres "Daqui a pouco vão dizer que a Bíblia é homofóbica", "I love my family" e "Pela união entre o homem e a mulher".

"Você já deu um abraço no seu filho gay hoje?"

Um pequeno grupo de homossexuais, cerca de cem pessoas, protestou contra o ato dos religiosos, num canto, cercado por 50 policiais militares, que faziam um cordão de isolamento. Os ativistas também carregaram cartazes com "Sou LGBT e Jesus me ama", "Matar homossexuais não é coisa de Deus" e "Você já deu umabraço no seu filho gay hoje?".

Quatro trios elétricos, com grupos que entoavam músicas evangélicas, ocupavam a frente do Congresso. Num deles, políticos e pastores se revezavam nos discursos. Evangélico, o senador Magno Malta (PR-ES) disse ser contra o projeto no Senado.

- O Senado não vai criar o terceiro sexo, não. Não vai ter uma leizinha para beneficiar meia dúzia. O kit gay (material de combate à homofobia do Ministério daEducação) está sepultado - disse Malta.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiram a favor da relação homoafetiva há três semanas, foram alvo das críticas dos evangélicos.

- Os ministros do Supremo rasgaram a lei, não têm autoridade para isso. Foi uma afronta ao Congresso Nacional, quem cria leis no país - disse o pastor Silas Malafaia, responsável pela realização da manifestação.

Presente ao ato, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que faz duras críticas aos homossexuais e chega a bater boca com parlamentares na Câmara e no Senado, foialvo das críticas dos ativistas gays. No final da manifestação, Bolsonaro se aproximou dos ativistas, que entenderam como uma provocação do parlamentar.

- Fascista! Assassino! - gritaram os ativistas, impedidos pela PM de se aproximar do deputado.

Um deles, Abayomi Mandela, estudante de engenharia florestal, conseguiu desgarrar do cerco e se aproximou do parlamentar:

- Bolsonaro, você é racista!

Manifestantes evangélicos, que tiravam fotos com Jair Bolsonaro, reagiram e bateram em Abayomi com cartazes. A PM afastou o ativista da confusão.

O deputado foi ovacionado pelos evangélicos:

- Bolsonaro! Bolsonaro! - gritaram.

Fonte: O Globo
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