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EXCLUSIVO: Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo pediu à Justiça que entregasse menino argentino vítima de abusos sexuais ao próprio abusador

 

A Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo chegou a pedir à Justiça que o menino argentino de 3 anos de idade, que foi vítima de abuso sexual no âmbito da própria família, fosse entregue ao avô materno, o fazendeiro Miguel Angel Vilar. A Justiça, no entanto, indeferiu o pedido, acolhendo parecer do Ministério Público Estadual. O fazendeiro argentino Miguel é justamente um dos homens acusados de abusar sexualmente do menino. O pedido da Defensoria Pública foi feito horas depois do menino ter sido resgatado e salvo pela Polícia Militar capixaba e entregue à Justiça.

O pedido da Defensoria Pública foi feito na noite do dia 18 de maio de 2018 ao Juízo de Plantão do Tribunal de Justiça do Estado, duas horas depois que a mãe do menino, a argentina Rocio Macarena Vila, deixou a criança em um ponto de ônibus na Serra, depois de fugir da Bahia para o Espírito Santo a fim de impedir que o filho continuasse sendo vítima de abusos por parte do próprio avô – Rocio é filha de Miguel Vilar.

A argentina Rocio chegou a ser presa pela acusação de abandonar a criança, mas posteriormente a Polícia Civil concluiu que ela e o filho eram vítimas. Na verdade, ela estava fugindo do pai, Miguel Vilar, e do irmão (dela), José Gonzalo Vilar, que perseguiram da Bahia até o Espírito Santo. Miguel e José Gonzalo, que já estão presos, são acusados de abusar sexualmente do menino argentino.

Na tarde do dia 18 de maio, a mãe foi levada para um hospital psiquiátrico da Grande Vitória por estar bastante abalada. O menino foi levado por ordem do Juizado da Infância e Juventude da Serra para um abrigo, onde se encontrava sob os cuidados do Conselho Tutelar. Hoje, mãe e filho encontram-se em lugar seguro.

A história envolvendo Rocio e seu filho veio à tona na tarde da última quinta-feira (24/05), durante audiência que a Comissão Parlamentar de Inquérito dos Maus-Tratos a Crianças e Adolescentes, realizada no auditório do Ministério Público do Estado do Espírito Santo, em Vitória. O presidente da CPI, senador Magno Malta, que tomou conhecimento dos abusos sofridos pelo menino, intimou o avô, o tio e a mãe para prestar depoimento à Comissão. Na audiência, a argentina Rocio relatou o drama.

A própria mãe da criança explicou para o senador Magno Malta que a família do seu pai, que vive um novo casamento na Bahia, planeja fundar uma isolada comunidade alternativa induzindo o sexo para procriação entre os familiares. Um movimento que ganha corpo no mundo, com o nome de Poliamor. O pai abusou sexualmente da primeira esposa, Juana Graciela, da filha e da criança, forçando a participar do sistema de comunidade de sexo entre familiares. Miguel Vilar, ouvido na CPI, chamou as acusadoras de malucas.

Em seguida, José Gonzalo prestou depoimento e falou do projeto da sociedade alternativa para um isolamento da família. A cada depoimento apareciam denúncias de drogas, enriquecimento ilícito e perversidade com crianças.

Neste momento, chegou da Vara Criminal de Itacaré (município localizado no Sul da Bahia), onde a argentina vivia com seu filho e onde seu pai é dono de uma fazenda, mandado de prisão para o pai Miguel Angel e o filho José Gonzalo.

Durante a sessão, o próprio senador Magno Malta cumpriu a ordem e deu voz de prisão para o pai e em seguida para o filho. Ambos foram para o Complexo Prisional de Viana. Mãe e filho estão sob proteção da polícia capixaba.

Entretanto, ainda na tarde do dia 18 de maio, o avô e o tio do menino vítima de abuso chegaram a Vitória. Miguel e José Gonzalo procuraram o hospital onde estava a mãe da criança e de lá foram à Defensoria Pública Estadual, que, mesmo sem se aprofundar no caso, acreditou na história dos abusadores para pedir que o menino – vítima de abusos sexuais – fosse entregue aos próprios agressores.

O argentino Miguel conseguiu, inclusive, enganar a Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo, alegando ser pobre para conseguir “justiça gratuita”. Porém, no dia em que prestaram depoimento à CPI dos Maus-Tratos, uma semana depois – em 24 de maio –, ele e seu filho chegaram à audiência acompanhados de advogados particulares.

No dia 19 de maio, durante Plantão Judiciário, a juíza de Direito Glícia Mônica Dornela Alves Ribeiro analisou o pedido do avô, feito por meio da Defensoria Pública Estadual. A magistrada solicitou parecer do Ministério Público do Estado do Espírito Santo que, aquela altura, já tinha conhecimento de que o menino argentino era vítima de abusos sexuais dentro do âmbito familiar.

O MPES manifestou-se pelo indeferimento, alegando a suspeita de abuso sexual e também o fato de o menino já estar sob proteção estatal, conforme determinação da Vara da Justiça da Infância e Juventude da Serra. Diante dos fatos levados aos autos, a juíza Glícia Mônica Dornela Alves Ribeiro deixou de acolher pedido da Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo, preservando, assim, a vida de uma criança.

Saiba Mais

O menino foi encontrado sozinho em um ponto de ônibus na BR-101, na Serra, na tarde de sexta-feira (18/05). Ele foi encaminhada pela Polícia Militar ao Conselho Tutelar da Serra. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a mãe, que foi quem deixou o menino, foi encontrada logo depois, desnorteada e em surto, próximo a região de Timbuí, em Fundão.

Um taxista disse que estava passando pela BR-101 quando precisou parar no semáforo. Ele viu quando uma mulher abriu a porta do carro e deixou a criança perto do ponto de ônibus. Ao ver a cena, ele saiu do veículo e questionou se ela deixaria mesmo a criança ali. “Ela falou ‘cuida da criança’. E saiu. Tinha um sotaque diferente, parecia não ser brasileira”, disse.

De acordo com a Polícia Militar, uma equipe acionada através do Ciodes foi até o local e levou a criança até o Conselho Tutelar de Valparaíso, na Serra. Depois, o menino foi encaminhado para Juizado da Infância e Juventude da Serra.

Pouco tempo depois, uma equipe da PRF foi acionada porque havia uma mulher desnorteada na BR-101, próximo a Timbuí. Chegando lá, os policiais rodoviários federais viram que se tratava da mãe da criança. Foi aí que a mãe começou a contar toda a história.

Fonte: www.elimarcortes.com.br

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