Notícias

Nas ruas, pais acham que só um tapinha não dói

A GAZETA ouviu a opinião da população sobre a Lei da Palmada, aprovada no Senado

Aprovada na última quarta-feira, dia 4, pelo Senado, a Lei da Palmada tem gerado muita polêmica. A discussão sobre o assunto começou há quatro anos, quando o projeto iniciou a tramitação no Congresso.

A polêmica tem várias origens. Muitos pais têm dúvidas sobre os castigos que se encaixam na proibição prevista pela lei. Alguns acreditam que o governo irá interferir na educação de seus filhos. Outros, são até a favor da lei, mas defendem: um tapinha para educar não dói. A GAZETA foi às ruas para ouvir a opinião da população sobre a chamada palmadinha e sobre a lei, que aguarda aprovação da presidente Dilma Rousseff.

“Sou a favor de que não se bata na criança. Mas fazer uma lei para isso pode não funcionar muito bem”, opina a dona de casa Franciany Prest Siquara, 38, contrária à lei. “Se fosse só contra agressões, mas não acho certo proibir uma palmada, que de leve não dá nada, é inofensiva.” A auxiliar de serviços judiciários Marina da Silva, 38, concorda e também é contra a lei. “A palmadinha em si corrige, mas o espancamento não”, diz.

Já a publicitária Anna Virgínia Albuquerque é a favor da lei. “Para mim, a lei causa um estranhamento. Mas penso sempre em educar minha filha a partir do respeito. E nós não batemos em adultos para castigá-los, então porque é certo bater nos nossos filhos?”, afirma.

Para a psicóloga, psicanalista e terapeuta familiar Cássia Rodrigues, ter uma opinião sobre a lei depende de cada caso específico. “Uma chinelada na bunda pode ou não ser uma agressão. Pode ser uma forma de impor limites, e pode ser extrapolada também. A lei vai coibir algumas coisas, mas quem é agressor vai continuar sendo”, declara.

Lei pode não funcionar bem, segundo dona de casa

Mãe de Davi e Luana, de, respectivamente, quatro e dois anos, Franciany é contra a Lei da Palmada, por poder ser invasiva, mas também é contra agressões.
 
Foto: Carlos Alberto Silva - GZ
"Sou a favor de que não se bata na criança. Mas fazer uma lei para isso não funciona muito bem. Uma palmadinha de leve é inofensiva. Mas bater, sou contra" Franciany Prest Siquara, Dona de casa


Entenda a Lei da Palmada

Rebatizada como Lei Menino Bernardo, a proposta estabelece que os pais que agredirem os filhos sejam encaminhados a cursos e a tratamento psicológico ou psiquiátrico, além de receberem advertência. Não impõe punição criminal para quem agride menores de 18 anos. Fica definido, no entanto, que o Conselho Tutelar vai receber denúncias e multar profissionais que se omitirem.

Análise
 
“Lei é interpretada incorretamente”

“Acho que tem, sim, que ter essa lei. Sou a favor. Estamos vivendo novos tempos. Talvez as pessoas não estejam entendendo muito bem o que é essa medida. Não é que o pai vai ser preso, punido. Quem cometer a agressão será indicado para um aconselhamento, um acompanhamento psicológico. A lei causa desconforto pois estão interpretando de forma errônea. A violência começa muitas vezes com a pequena palmada, um empurrão, um beliscão. O tapinha pode sim ter outras consequências, não é inofensivo. A lei vem como um auxílio aos pais” Edna Tavares, psicopedagoga

O que dizem

“Claro que espancaré covardia. Porém sou a favor da palmadinha, acho que faz até bem. Acredito que corrige e não maltrata a criança” Suely Dantas, 58 anos, porteira

“O governo está interferindo na família brasileira. Palmadinha é para corrigir, não para ferir. Não faz mal, é até conveniente” José Roberto de Oliveira, 67 anos, aposentado

“Se uma mãe não puder agir com o filho, o que vai ser do mundo? Levei palmada quando criança e virei gente. Valeu a pena” Maria Raquel Florentino, 46 anos, doméstica

Fonte: Gazeta online

Brasília-DF // Esplanada dos Ministérios - Senado Federal - Ala Tancredo Neves, Gabinete 57
Telefone: +55 61 3303-4161/1656
E-mail: magnomalta@senador.gov.br

FIQUE POR DENTRO DAS NOVIDADE
CONECTE-SE A NÓS