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Efeito Magno

 

 

Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas, numa analogia política, até isso o senador Magno Malta (PR) conseguiu fazer nesta eleição. Se em 2002 foi a CPI do Narcotráfico que ajudou a protegê-lo, agora ele apagou da memória do eleitor com a CPI da Pedofilia todos os pecados cometidos durante seus oito anos de mandato. Meio artista, trouxe para uma eleição insossa, sem grandes lideranças carismáticas no cenário local, um tom de messianismo que, gostem ou não, pode lhe render votação parecida com a de 2002 – segundo estimativas do mercado político.

O fenômeno Magno Malta tem algumas explicações e também consequências para a política do Espírito Santo. Ele peca pelo exagero, inclusive no trato com o tema pedofilia, mas por outro lado tem uma habilidade natural para se esquivar de situações embaraçosas, como fez no debate A GAZETA-CBN ao responder sobre as complicações envolvendo seu atual suplente, Xyko Pneus, e seu envolvimento na máfia das ambulâncias. Essa habilidade explicaria também por que, apesar do coro da Igreja Católica pedindo aos fiéis um olhar crítico para essa candidatura, ele passa ileso a bombardeios.

Outra explicação está no fato de que temos um vácuo de lideranças. Numa eleição sem bandeiras, ele tem a sua. Ricardo Ferraço (PMDB) é o vice que é amigo do governador Paulo Hartung (PMDB). Rita Camata (PSDB) é a deputada que parece ter dificuldade em lidar com o Estatuto da Criança e do Adolescente - tema que passou a ser melhor explorado por ela na semana passada - e usa o senador Gerson Camata (PMDB) como cabo eleitoral. Professor Renato (PSOL) é uma candidatura alternativa, mas, até por falta de experiência em disputa política, não consegue reproduzir um discurso no estilo Brice Bragato (PSOL).

Fora isso, a propaganda de Magno Malta na TV é eficiente. Foi de péssimo gosto quando simulou cenas em preto e branco de crianças tirando roupa e exibiu uma gravação com ameaça de morte ao senador, mas, no geral, é bem produzida. O jingle que o apresenta como "gente da gente" é leve e a trilha exibida quando ele chega a eventos políticos - o início da música We Will Rock You, do grupo Queen - traz um "tum tum tum" que causa histeria nos cabos eleitorais que sua equipe chama de "maguetes".

Nesta eleição, Magno pouco precisou prestar contas do passado porque se apresentou como o senador da família, uma espécie de consultor que aparece na TV dando dicas até de que o filho não pode dormir na casa do vizinho, explicando que o fato de a criança fazer xixi na cama pode ser um sinal de que ela está sendo molestada.

No Twitter, replica mensagens de apelo de quem gostaria de vê-lo como presidente da República. Mais um exagero? Pode ser, mas essa pode ser mais uma ambição sua, mas antes ele poderia tentar chegar ao governo do Estado. Qual a influência ele terá numa eventual gestão de Renato Casagrande (PSB) ainda é uma interrogação, mas provoca incômodos.

Lideranças que compõem a chapa de Casagrande criticam o excesso do uso da religião na campanha, dizendo que "a falta de caráter define seu uso". No palanque do PSB, mais de um aliado torce o nariz para o perfil do senador, que passou a ser definido como populista e de ego inflado. Mas como Magno Malta poderia dar muito trabalho se estivesse na oposição, foi preciso colocá-lo no mesmo bloco. O efeito que sua campanha messiânica alcançará ainda será medido nas urnas, mas uma das consequências é um viés populista que passa a ganhar força na política do Espírito Santo.

O comportamento do eleitor realmente precisa ser estudado. Tiririca (PR) quer ser deputado federal e deve ser o mais votado de São Paulo. O cantor Netinho (PCdoB) deve virar senador pelo mesmo Estado - segundo as pesquisas - e, no site Terra, a matéria mais acessada semana passada era sobre os musos e musas da eleição.

Fonte: A Gazeta

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